O Dia em Que a Porta Foi Esfaqueada — E Quase Quebraram a Mim
Eu já sabia.
Sabia que eles estavam juntos. Já não era segredo. Mas saber é diferente de ver.
Eu vi os stories. Me auto-sabotei. Me violentei com as imagens de afeto que foi escolhido exibir.
Ela em volta do pescoço dele. Ele rindo. Um músico dizendo “não fica com ciúmes, meu irmão” e a plateia aplaudindo o novo casal.
Eu desabei.
Não porque queria ele de volta. Mas porque ainda estava em mim. Dormia na minha casa. Ainda dividia o mesmo ar. Ainda carregava minha história no corpo.
Eu só queria ser ouvida. Mas quando mandei o print, o que recebi foi:
"Você fez fake? Você que procurou. Não vou me sentir culpado."
E então vieram os gritos. As palavras que corroem: manipuladora. louca. egoísta.
No dia seguinte, ele me culpou.
“Ela não me quer mais por sua causa. Você me fez mostrar o meu pior lado. Acabou tudo. Agora todo mundo sente a sua dor.”
E eu?
Só chorava. Me desculpava. Me sentia a pior pessoa do mundo.
E então ele veio buscar as coisas.
Quebrou objetos. Deixou tesouradas na porta do meu banheiro — marcas que ficarão pra sempre.
Gritou na minha cara. Disse que eu era a culpada por provocar tudo aquilo. Disse que eu o destruía.
Me pediu pra chamar a polícia. Disse que só assim ficaria longe de mim.
E eu ainda senti pena. Ainda me perguntei se eu merecia aquilo.
Eu sei que esse é o clichê da violência. Mas clichês são reais.
Hoje, escrevendo isso, sinto a garganta apertar. Sinto ainda falta dele — não do que ele foi naquele dia, mas do que ele já foi um dia.
E isso me confunde. Me atravessa.
Mas o fim, mesmo dolorido, era necessário.
Agora é sobre mim. Sobre recolher os pedaços. Sobre não me desculpar por não merecer o que me feriu.
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