Metade do Quarto, Metade de Mim
Hoje ele levou mais coisas.
Uma caixa, duas, talvez nem tanto volume assim. Mas pareceu enorme.
O que antes era o escritório dele agora está pela metade. E o estranho é que a metade que ficou não é minha — é só ausência.
Ele escolheu ir embora aos poucos. Tirar peça por peça. Como quem desmonta uma casa para não fazer barulho.
Eu fico me perguntando se seria mais fácil se ele tivesse tirado o curativo de uma vez. Se tivesse ido de repente, com tudo. Mas não. Ele preferiu o silêncio, o lento, o quase nada.
E eu? Eu fico aqui tentando me recompor entre caixas vazias e paredes que ainda têm o cheiro dele.
Ele está indo.
E eu ainda não sei como ficar.
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