Ainda é silêncio quando ele vai
Ontem ele me deixou em casa.
Táxi, silêncio, uma despedida disfarçada de rotina. Ele seguiu, e eu fiquei.
Não chorei. Mas doeu.Uma vez ele pegou 6 horas de ônibus só porque eu estava doente. Eu nem lembro o que eu tinha, mas ele atravessou o estado.
Hoje eu mal consigo olhar nos seus olhos quando sem despeço.A gente já foi riso. Já foi madrugada falando de idéias. Já foi travesseiro compartilhado.
Já foi.Lembro do dia em que ele me chamou de "lar".
Hoje, sou só endereço de passagem.Eu não sei quando exatamente foi que ele começou a ir embora. Talvez tenha sido aos poucos. Talvez ele só ficou mais tempo do que deveria.
Agora, tudo é eco.
Escrevo não pra ele voltar, mas pra eu mesma não ir embora de mim.
Porque amar alguém que já partiu dói, mas esquecer quem a gente era com ele — isso assusta mais.E assim eu começo este blog.
Não pelo começo. Mas pelo ponto em que precisei do basta.
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